TL;DR
Este artigo analisa a nova experiência de edição de tiles nos Real-Time Dashboards do Microsoft Fabric, que integra Copilot para criar visuais a partir de prompts em linguagem natural. A conclusão principal: a funcionalidade reduz barreiras para equipes de negócio criarem dashboards, mas exige governança de dados e modelagem consistente para garantir confiabilidade em cenários produtivos.
O que muda na criação de visuais com os Real-Time Dashboards do Fabric?
Os Real-Time Dashboards no Microsoft Fabric sempre foram a principal interface para monitorar streams de dados ao vivo — pensados para cenários como operações de loja, telemetria de IoT, logística ou atendimento. Até agora, criar um visual nesse ambiente exigia conhecimento de KQL (Kusto Query Language) ou a adaptação a um editor de tiles pouco flexível.
A novidade é a reformulação completa da experiência de edição, agora com suporte nativo ao Copilot, que permite construir visuais por descrição em linguagem natural, mantendo, ao mesmo tempo, a potência do KQL para quem prefere código. O resultado é uma interface mais enxuta e adaptável — tanto para o analista de negócios quanto para o engenheiro de dados.
Por que isso importa para empresas brasileiras?
No Brasil, a escassez de profissionais especializados em KQL e a pressão por dashboards em tempo real (monitoramento de fraudes, operações logísticas, marketplaces) fazem com que times de dados fiquem sobrecarregados. A possibilidade de onboarding de mais usuários de negócio como criadores de visuais reduz gargalos e acelera a tomada de decisão. Por outro lado, sem governança adequada, visuais criados por IA podem gerar inconsistências — daí a importância de manter o controle sobre as fontes de dados e o versionamento.
Como o Copilot transforma o fluxo de trabalho?
A Microsoft ilustra o novo fluxo com um cenário prático: um dashboard para monitorar a experiência de passageiros em um aeroporto. O processo é dividido em cinco etapas:
- Escolha o tipo de visual — por exemplo, um gráfico de série temporal.
2. Descreva o que precisa — o editor abre com um campo de prompt. Basta digitar: “Compare volumes de filas de segurança”.
3. Revise e refine — o Copilot gera o visual com base nos dados. É possível maximizar, inspecionar os dados subjacentes ou enviar um prompt complementar.
4. Ajuste fino — após aplicar, é possível alterar cores, formatos ou iterar diretamente no código KQL. O histórico de cada iteração do Copilot fica salvo, permitindo voltar a versões anteriores.
5. Finalização — o visual aparece no dashboard e pode ser redimensionado e reposicionado.
Quais os ganhos reais para times de engenharia?
Interface adaptável: AI, manual ou híbrido
O novo editor permite reorganizar os painéis de interface conforme a preferência. Quem domina KQL pode trabalhar predominantemente com código, enquanto analistas menos técnicos usam prompts. O modo híbrido — que combina prompt e edição direta de query — é o ponto mais interessante, pois acelera o aprendizado e reduz a curva de adoção.
Preview maior e menos ruído visual
A área de preview foi ampliada e as distrações minimizadas. Isso parece um detalhe menor, mas para quem valida visuais em tempo real — especialmente em operações críticas —, qualquer ganho de foco aumenta a confiabilidade das análises.
Suporte a parâmetros e testes no editor
Para quem trabalha com KQL, o painel de código agora inclui um mecanismo para inserir variáveis de parâmetro — como filtros de data ou limites de latência — e testar como eles afetam o visual antes de publicar. Isso reduz o ciclo de desenvolvimento e evita surpresas em produção.
E para o profissional de operações (SecOps / FinOps)?
A possibilidade de criar visuais com IA exige atenção a dois pontos:
- Governança de acesso: quem pode usar o Copilot para gerar consultas? As permissões são herdadas do workspace do Fabric. É essencial revisar as políticas de IAM e garantir que usuários de negócio não acessem dados sensíveis sem os devidos controles.
- Custo de capacity: prompts complexos podem gerar consultas KQL pesadas, impactando a capacidade reservada (CUs). Times de FinOps devem monitorar o consumo e, se necessário, definir limites ou orientar treinamentos para evitar picos inesperados.
Como começar?
A funcionalidade está disponível em preview hoje. Basta editar um Real-Time Dashboard existente ou criar um novo, clicar em “Add tile” ou editar um tile atual. Para usar o Copilot, a capacity do Fabric deve estar configurada com as permissões adequadas (F64+ ou P1/P2) e a opção “Usuários podem usar o Copilot” ativada no tenant settings.
A Microsoft reforça que o feedback dos usuários é essencial para definir os próximos passos. Empresas brasileiras que testarem o recurso devem compartilhar experiências — especialmente sobre a qualidade das sugestões do Copilot em português.
Perguntas Frequentes
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A funcionalidade exige licenciamento adicional do Copilot no Fabric?
Sim, o Copilot no Fabric requer capacidade F64 ou superior (ou P1/P2) e a ativação do tenant settings. O preview deste recurso está disponível para usuários com essas licenças. Empresas brasileiras devem avaliar o custo-benefício antes de habilitar para todos. -
Quais fontes de dados são suportadas nos Real-Time Dashboards?
Os dashboards consomem dados de Eventhouses no Fabric Real-Time Intelligence, incluindo streaming em tempo real de Eventstream, bancos de dados KQL e outras fontes suportadas no ambiente Fabric. Não há suporte nativo a fontes externas sem ingestão prévia. -
Como fica a governança de visuais gerados por IA em produção?
Cada iteração do Copilot fica registrada no histórico do tile, permitindo auditoria e rollback. No entanto, times de SecOps e FinOps devem monitorar permissões de IAM e uso de capacidade, já que prompts podem gerar consultas complexas que impactam performance e custo. -
O histórico de prompts do Copilot é compartilhado entre usuários no mesmo workspace?
Não. O histórico de cada iteração é exclusivo do usuário que editou o tile. Cada novo editor inicia com o visual atual, mas sem acesso às conversas anteriores de outros colaboradores. Isso pode gerar retrabalho se não houver documentação paralela.
Artigo originalmente publicado por MichalBar em Azure Updates - Latest from Azure Charts.