Para instituições financeiras, a adoção de public cloud é um caminho quase natural quando falamos da camada de 'digital front end'. O uso de arquiteturas cloud-native, baseadas em Kubernetes, microservices e APIs, permite a agilidade necessária para suportar inovações em mobile banking e as exigências regulatórias do Open Finance.
Contudo, o cenário muda drasticamente ao tratarmos do core back-end. A maioria das aplicações críticas de core banking ainda opera em datacenters on-premises proprietários, que frequentemente se tornam gargalos operacionais. Esses ambientes sofrem com altos custos de manutenção, dificuldades em atender às exigências de sustentabilidade (especialmente na gestão de power supply e cooling) e uma fragmentação excessiva de infraestrutura que dificulta a escalabilidade.
Manter um ecossistema de mainframes como o IBM Z em instalações próprias não é apenas um desafio técnico; é um risco estratégico. À medida que as exigências por latência reduzida e interconectividade aumentam, a estratégia de manter múltiplos data centers isolados mostra-se obsoleta. A tendência atual, observada em grandes players do setor, é mover o hardware crítico — como os IBM Z — para ambientes de colocation neutros, aproveitando a topologia de rede privilegiada e a capacidade de interconexão direta com provedores de cloud, viabilizando uma arquitetura híbrida robusta e de alta disponibilidade.
Para o gestor de TI no mercado brasileiro, essa transição oferece uma oportunidade de consolidar a infraestrutura, reduzindo o TCO por meio de uma gestão mais inteligente dos recursos de energia e refrigeração, ao mesmo tempo em que prepara a fundação para uma integração mais fluida com pipelines de CI/CD e práticas modernas de observability, mantendo a estabilidade exigida pelo core banking.
Artigo originalmente publicado por Adrian Mountstephens em Interconnections – The Equinix Blog.