22 de maio de 20264 min de leitura

Azure Files agora suporta identidades exclusivas do Entra ID para acesso SMB: o fim da dependência de AD on-premises?

Azure Files agora suporta identidades exclusivas do Entra ID para acesso SMB: o fim da dependência de AD on-premises?

TL;DR: Este artigo analisa a disponibilidade geral (GA) das identidades exclusivas do Microsoft Entra ID para acesso SMB ao Azure Files. A principal conclusão: organizações brasileiras podem eliminar a dependência de Active Directory local e infraestrutura híbrida para compartilhamentos de arquivos, reduzindo complexidade operacional, riscos de segurança e custos de manutenção, enquanto adotam uma postura de Zero Trust com identidades nativas da nuvem.

A Microsoft anunciou a disponibilidade geral (GA) do recurso Entra-only identities para acesso SMB ao Azure Files. Na prática, isso significa que times de engenharia e operações podem agora conceder acesso a compartilhamentos de arquivos usando exclusivamente identidades do Microsoft Entra ID — sem exigir nenhum Active Directory on-premises, sem sincronização com Azure AD Connect, e sem servidores de Domain Controller rodando para esse fim.

Para empresas brasileiras que ainda mantêm infraestrutura híbrida apenas por causa de compartilhamentos de arquivos, essa é uma mudança estratégica relevante. O custo de manter controladores de domínio locais, seja em datacenters próprios ou em VMs dedicadas, muitas vezes supera o valor que eles entregam quando o restante da arquitetura já está cloud-first. Com o Entra-only, você elimina essa dependência e reduz a superfície de ataque associada ao Kerberos tradicional, DNS local e conectividade de rede complexa.

Como isso impacta a operação no dia a dia?

Se você utiliza Azure Virtual Desktop (AVD) ou workloads que exigem montagem de unidades via SMB, a autenticação agora pode ser feita diretamente com o token do Entra ID do usuário. Não é mais preciso configurar trust relationship entre o Azure Files e seu AD local, nem lidar com problemas clássicos como time skew, replicação de GPOs ou sincronização de senhas. Do ponto de vista de operações, a simplificação é enorme: o storage account se torna um recurso puramente cloud, cujo acesso é governado por roles IAM e grupos do Entra ID.

Cenários de uso para o mercado brasileiro

Empresas de médio e grande porte que estão em processo de migração para o Azure podem usar essa funcionalidade como argumento para acelerar a eliminação de workloads legados. Startups e empresas nascidas na nuvem, por sua vez, ganham a capacidade de oferecer compartilhamentos de arquivos seguros sem precisar montar nenhuma infraestrutura de identidade on-premises. Além disso, setores com exigências de compliance (LGPD, ISO 27001) se beneficiam de uma trilha de auditoria centralizada no Entra ID, sem logs espalhados entre controladores locais e logs de storage.

Pontos de atenção

Embora o GA seja um marco, é importante lembrar que o modelo Entra-only não suporta todos os recursos do AD clássico — como permissões baseadas em GPOs, autenticação com cartão smart, ou Kerberos delegado. Se sua aplicação depende desses mecanismos, você ainda precisará de uma abordagem híbrida. Também é necessário que os clientes (VMs, servidores) resolvam corretamente o nome do storage account via DNS — algo que funciona nativamente no Azure, mas pode exigir configurações adicionais em cenários híbridos com roteamento customizado.

Perguntas Frequentes

  • O que significa 'Entra-only identities' no contexto do Azure Files?
    Significa que você pode usar exclusivamente identidades do Microsoft Entra ID (antigo Azure AD) para autenticar e autorizar acesso SMB aos compartilhamentos de arquivos no Azure Files, sem precisar sincronizar ou estender um Active Directory local ou qualquer infraestrutura híbrida.

  • Essa funcionalidade elimina a necessidade de Domain Controllers ou conectividade híbrida?
    Sim, para cenários de acesso SMB puro, você pode remover completamente os Domain Controllers on-premises e conexões de sincronização de identidade. Isso simplifica a arquitetura, reduz a superfície de ataque e corta custos operacionais de manutenção de servidores locais.

  • Quais são os principais casos de uso para empresas brasileiras?
    Ambientes 100% cloud-native, workloads que usam Azure Virtual Desktop (AVD), aplicações modernas que precisam de compartilhamento de arquivos sem latência de AD local, e cenários de disaster recovery onde você quer evitar dependências de identidade on-premises.

  • Há alguma limitação de segurança ou compatibilidade que devo considerar?
    A funcionalidade é GA, mas exige que os clientes (VMs, servidores) estejam rodando em Azure ou conectados via VPN/ExpressRoute com resolução de nomes adequada. Além disso, recursos avançados de AD (como GPOs ou Kerberos delegado) não são suportados — o modelo é foco em autenticação e autorização simplificadas.


Artigo originalmente publicado em Azure Updates - Latest from Azure Charts.

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