6 de fevereiro de 20265 min de leitura

Eficiência e Performance em OCI Block Volumes: Como Extrair o Máximo Valor do Cloud Storage

Natraj Mani

Oracle Cloud

No cenário corporativo atual, a agilidade dos negócios está diretamente atrelada à fluidez dos dados. O armazenamento em nuvem, especificamente soluções de block volumes elásticas e de alta performance, tornou-se o benchmark para sustentar o crescimento, a resiliência e a inovação tecnológica.

Contudo, para empresas brasileiras que buscam escala global ou eficiência operacional rigorosa, a questão não é apenas contratar espaço, mas sim como maximizar a performance do storage de forma estratégica. Como tornar a infraestrutura rápida, confiável e, acima de tudo, financeiramente sustentável? Abaixo, analisamos as táticas essenciais para tirar o melhor proveito do OCI (Oracle Cloud Infrastructure) block storage.

Elasticidade e Flexibilidade: O Diferencial Estratégico da Nuvem

A migração de workloads críticos para a nuvem é uma tendência irreversível. De acordo com o Gartner, mais de 70% dessas cargas de trabalho estarão no cloud até 2028. A grande vantagem estratégica dos block volumes em nuvem é eliminar o exercício de adivinhação no planejamento de infraestrutura. Diferente do on-premise, você não precisa realizar o over-provisioning preventivo; a capacidade de expandir volumes conforme a demanda permite responder picos de uso sem comprometer o orçamento antecipadamente.

Equilibrando Custo e Performance com VPUs e Volume Size

No OCI, a performance é definida por uma combinação entre o tamanho do volume e as Virtual Performance Units (VPUs). Embora aumentar ambos resulte em maior velocidade, uma abordagem sem planejamento gera desperdício de capital — algo que o time de FinOps deve evitar.

A recomendação é ajustar o tamanho e a quantidade de VPUs conforme a necessidade real do workload. Não é obrigatório configurar o ambiente para o pico absoluto se esse evento for raro. Ao utilizar o auto-tune, você define um patamar mínimo de VPUs para operações estáveis e um teto máximo que proteja tanto a performance quanto o orçamento de custos inesperados ou atividades maliciosas/acidentais que possam degradar a largura de banda de workloads críticos.

Auto-Tune: Inteligência Aplicada ao Storage

Adaptar o armazenamento a cargas de trabalho instáveis (spiky workloads) é um dos maiores desafios da engenharia de infraestrutura. O recurso de auto-tune resolve isso ao ajustar automaticamente os níveis de performance de acordo com a demanda em tempo real.

Para as empresas, isso significa que a aplicação recebe o throughput necessário nos momentos críticos e, em períodos de baixa atividade, o custo reduz automaticamente. Um exemplo real envolve um provedor de streaming e analytics que, ao implementar o auto-tune, alcançou uma redução imediata de 30% nos custos de storage sem qualquer impacto na experiência do usuário durante as horas de pico.

Escalando com Múltiplos Volumes (Striping)

Quando o objetivo é ultrapassar barreiras de throughput, a estratégia de utilizar múltiplos block volumes em conjunto é altamente eficaz. Ao realizar o striping via RAID 0, os dados são divididos entre vários dispositivos, o que multiplica a capacidade de processamento.

Em testes de performance no OCI, clientes conseguiram aumentar o desempenho em até 10 vezes ao migrar de um volume único para uma configuração distribuída. O ponto de atenção aqui é garantir que o compute shape (a instância de computação) tenha capacidade de rede e largura de banda para suportar esse tráfego intensificado.

Sincronia entre Storage e Compute

Um erro comum é configurar block volumes de altíssima performance, mas ignorar os limites da instância de compute. Cada formato de instância no OCI possui limites máximos de IOPS e largura de banda. Para máquinas virtuais, essa capacidade é frequentemente ditada pelo número de OCPUs selecionadas. Sem o equilíbrio entre o storage e a instância, você pagará por uma performance que nunca será entregue devido ao gargalo no processamento.

Paravirtualized vs. iSCSI: Qual Escolher?

Para a maioria dos casos de uso, o anexo via paravirtualized é a melhor escolha devido à simplicidade de setup e automação. Ele permite escalabilidade rápida e segura sem comandos adicionais.

No entanto, em ambientes legados ou que exigem o máximo de performance absoluta em volumes muito grandes, o iSCSI se torna necessário. Embora exija configuração manual (via iscsiadm), o iSCSI oferece maior controle e é indispensável para instâncias bare metal ou workloads que demandam funcionalidades específicas não suportadas pela paravirtualização.

Automação e Monitoramento Proativo

A gestão manual não escala. O uso de OCI CLI, SDKs ou Terraform para gerenciar o ciclo de vida dos volumes — anexar, desanexar, realizar backups — é fundamental. Além disso, a manutenção dos cloud agent plugins atualizados garante que as ferramentas de monitoramento nativas funcionem corretamente.

Estabelecer alertas personalizados permite identificar gargalos ou comportamentos anômalos antes que afetem o SLA do negócio. A observabilidade é a chave para uma operação DevOps eficiente.

Resiliência e Continuidade de Negócios

Além da performance, a proteção dos dados é vital. No OCI, os block volumes já possuem redundância nativa, eliminando a necessidade de espelhamento RAID adicional para proteção contra falhas de disco.

Para uma estratégia de Disaster Recovery (DR) robusta, recomenda-se:

  • Volumes Groups: para gerenciar e proteger conjuntos de volumes de forma atômica.
  • Cross-region replication: para garantir a recuperação de dados em caso de incidentes regionais.
  • Availability e Fault Domains: para distribuir recursos e garantir que a aplicação permaneça online mesmo durante falhas parciais de infraestrutura.

Conclusão

O uso estratégico de block volumes elásticos vai além da simples capacidade de armazenamento. Ao integrar recursos como auto-tune, automação e arquiteturas de alta resiliência, gestores de TI e engenheiros garantem uma infraestrutura pronta para as transformações digitais mais exigentes.


Artigo originalmente publicado por Natraj Mani em cloud-infrastructure.

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