A AWS introduziu em agosto de 2025 o conceito de AWS User Experience Customization (UXC), uma iniciativa focada em adaptar a interface do console para reduzir o ruído operacional. O que parecia ser apenas uma mudança cosmética de cores nos ambientes, agora ganha contornos mais estratégicos com a possibilidade de limitar a visibilidade de Regions e serviços.
Para empresas brasileiras que frequentemente operam em ambientes multi-account, essa atualização vai além da estética. Ao esconder serviços não utilizados ou regiões fora do compliance da companhia, a engenharia reduz o cognitive load e minimiza o risco de erros humanos em deployments ou configurações acidentais em contas erradas.
Categorização por cores: Mais do que estética, barreira contra erro humano
A capacidade de atribuir cores às contas, acessível pelo menu do console, é uma prática recomendada de higiene operacional. Em cenários onde equipes alternam entre contas de dev, staging e production, a clareza visual atua como um sistema de error prevention intuitivo.

Ao definir, por exemplo, o vermelho para ambientes críticos de production, a equipe técnica tem um feedback visual imediato antes de realizar qualquer alteração, reduzindo a latência cognitiva de checagem do account ID.

Curadoria de serviços e regiões: Eficiência operacional
A verdadeira força deste anúncio reside na capacidade de limitar a exposição de serviços e regiões. Times de infraestrutura podem agora restringir a visibilidade do console apenas ao que está efetivamente dentro do escopo do projeto ou da zona de disponibilidade autorizada.
Isso simplifica drasticamente o acesso, eliminando a poluição visual causada por serviços que não fazem parte do stack da empresa.

Ao editar a visualização, o administrador cria um ambiente de trabalho mais limpo, diminuindo o tempo de navegação necessário para encontrar recursos relevantes.

Pontos de atenção técnico e governança
É fundamental ressaltar que essa customização é estritamente UI-based. Isso significa que as restrições impostas visualmente não se refletem via AWS CLI, SDKs, APIs ou ferramentas como o Amazon Q Developer. A regra de Least Privilege continua sendo aplicada via IAM e SCPs (Service Control Policies) em nível de conta.

Para times que buscam governança como código (GitOps), a boa notícia é que essas configurações são programáveis via AWS CloudFormation:



Utilizar infraestrutura como código (IaC) para padronizar essa experiência em todas as contas da organização é a melhor forma de garantir consistência, evitando configurações manuais dispersas e garantindo que toda a equipe opere sob um padrão visual otimizado.
AWSTemplateFormatVersion: "2010-09-09"
Description: Customize AWS Console appearance for this account
Resources:
AccountCustomization:
Type: AWS::UXC::AccountCustomization
Properties:
AccountColor: red
VisibleServices:
- s3
- ec2
- lambda
VisibleRegions:
- us-east-1
- us-west-2
Essa abordagem alinha a usabilidade com a governança da empresa, tornando o dia a dia dos SREs e desenvolvedores mais focado na entrega de valor e menos na gestão da complexidade da console.
Artigo originalmente publicado por Channy Yun (윤석찬) em AWS News Blog.