Organizações que mantêm cargas de trabalho on-premises enfrentam um dilema clássico ao migrar para a nuvem: como modernizar o stack tecnológico sem abrir mão da consistência arquitetural que garante a estabilidade do negócio? O Red Hat OpenShift surge como um bridge natural, permitindo que empresas evitem o risco de um re-platforming forçado.
Recentemente, a colaboração entre Google Cloud e Red Hat atingiu um novo patamar. Com o anúncio dos Google Cloud Cluster Services, uma nova experiência de console e a disponibilidade geral do OpenShift Virtualization no OpenShift Dedicated, o cenário para quem utiliza grandes clusters Kubernetes torna-se mais pragmático e eficiente. Para times de engenharia no Brasil, isso significa não apenas suporte, mas uma integração nativa orientada a performance.
Otimização de Custos e Infraestrutura
A infraestrutura global do Google Cloud oferece diferenciais técnicos que impactam diretamente o TCO (Total Cost of Ownership) quando acoplados ao OpenShift. Não se trata apenas de migrar para a nuvem, mas de ajustar os recursos computacionais ao consumo real:
- Custom machine types: Permitem um ajuste fino de vCPU e memória, eliminando o desperdício de recursos inerente a instâncias pré-formatadas.
- Hyperdisk storage pools: Oferecem a capacidade de escalar performance e capacidade de armazenamento de forma independente, essencial para ambientes de banco de dados e aplicações de alta taxa de throughput.
- Processadores Axion: Adoção de tecnologia baseada em ARM pelo Google, prometendo uma relação superior de price/performance para cargas de trabalho nativas em nuvem.
Estudos de mercado indicam um valor expressivo na migração estruturada do OpenShift para o Google Cloud, onde o ganho financeiro é majoritariamente impulsionado por essas eficiências na alocação de infraestrutura, um ponto central nas estratégias de FinOps para empresas brasileiras que operam em escala.
Google Cloud Cluster Services para OpenShift
A introdução dos Cluster Services visa simplificar operações complexas. O grande diferencial aqui é a possibilidade de adoção gradual de serviços gerenciados, sem a necessidade de um lock-in ou a adoção de um modelo "tudo ou nada".
Estes serviços, com suporte conjunto de Red Hat e Google, incluem integrações profundas com Secret Manager, Workload Identity Federation e Managed Prometheus. Para times de segurança, a capacidade de integrar esses elementos com compliance automático via Workload Manager reduz a carga operacional de monitoramento e garante que seu deployment siga as melhores práticas de mercado desde o dia 1.
Experiência Unificada no Console
A simplificação na criação de clusters via Google Cloud Console é um passo importante para reduzir o tempo que engenheiros de infraestrutura perdem com tarefas repetitivas de provisioning. A integração guia o usuário através dos requisitos necessários, facilitando a orquestração entre a plataforma Google e o Red Hat Hybrid Console.

Consolidação com OpenShift Virtualization
Por fim, a disponibilidade geral do OpenShift Virtualization no OpenShift Dedicated no Google Cloud remove uma barreira histórica: a separação entre containers e VMs. A capacidade de rodar e gerir máquinas virtuais legadas dentro do plano de controle do Kubernetes, utilizando bare metal infrastructure e Hyperdisk, é um salto estratégico. Isso permite que empresas migrem cargas virtualizadas para um ambiente moderno sem a urgência de reescrever toda a aplicação, mantendo o controle sobre configurações de overcommit e garantindo performance previsível.
Para líderes de tecnologia, o recado é claro: as ferramentas de modernização estão mais maduras e o foco atual está em viabilizar migrações complexas com eficiência de custo e governança, sem sacrificar a flexibilidade que o modelo multi-cloud ou híbrido exige.
Artigo originalmente publicado por Bharat SinghStaff Software Engineer em Cloud Blog.