15 de janeiro de 20264 min de leitura

Firecracker microVMs no OCI: Vale a pena rodar em instâncias virtuais ou Bare Metal?

Josiah Oriendo

Oracle Cloud

Introdução

As Firecracker microVMs oferecem inicialização rápida e isolamento robusto com um modelo de dispositivo minimalista, sendo ideais para workloads efêmeras e multi-tenant. O OCI (Oracle Cloud Infrastructure) permite a execução do Firecracker tanto em Bare Metal (BM) quanto em formatos selecionados de Virtual Machines (VMs) via virtualização aninhada (nested virtualization).

Para empresas brasileiras que buscam otimizar custos sem sacrificar a segurança, essa flexibilidade é crucial. Nossa análise mostra que rodar Firecracker em VMs no OCI é uma opção viável, com trade-offs previsíveis em comparação ao Bare Metal.

Isolamento com Firecracker

O Firecracker é um monitor de microVM (VMM) open source projetado para isolamento seguro e leve de workloads. Ele inicia sistemas guest Linux mínimos rapidamente e utiliza um modelo de dispositivo reduzido para diminuir a superfície de ataque.

Visão conceitual do Firecracker no OCI Bare Metal:

Visão conceitual

Como demonstrado na arquitetura, o Firecracker utiliza um modelo de segurança multicamadas:

  1. A Barreira de Virtualização: O Firecracker executa cada SO guest e workload de container dentro de uma microVM dedicada, fornecendo isolamento em nível de hardware.
  2. A Barreira do Jailer: Para reduzir ainda mais a superfície de ataque, o processo do Firecracker é envolvido em um "Jailer" que utiliza primitivas do Linux como cgroups, namespaces e seccomp.
  3. Planos de Controle e Dados:
    • RESTful API: Um plano de controle para configurar vCPUs, memória, etc.
    • Modelo de Dispositivo Minimalista: O plano de dados fornece apenas o essencial: Virtio-net, Block Storage e um Metadata Service.

Esta arquitetura resolve três problemas comuns em operações de escala:

  • O arrasto de cold-start para serviços de vida curta.
  • O gap de isolamento entre containers e VMs completas.
  • Densidade e eficiência de custos para plataformas que precisam de rotatividade rápida e segurança consistente.

Como o OCI habilita o Firecracker em VMs e BMs

  • OCI Bare Metal (BM): Você controla o SO host e tem acesso direto ao KVM, ideal para throughput máximo e menor latência de cauda (tail latency).
  • OCI Virtual Machines (VMs): Como a plataforma de VM do OCI é baseada em KVM, rodar Firecracker aqui exige nested virtualization para que o /dev/kvm esteja disponível dentro da instância. Se o /dev/kvm não estiver disponível no seu shape, o BM é o caminho obrigatório.

Resultados de Performance: VM vs. Bare Metal

Utilizamos o mesmo stack de software e artefatos em ambos os hosts (build idêntico do Firecracker, 1vCPU e 5GB de memória) e a mesma arquitetura de CPU (VM.Standard.E5.Flex vs BM.Standard.E5).

Métrica Host VM (5 testes) Host BM (5 testes) Delta (%)
CPU (sysbench cpu, events/s) 1607.22 1663.18 3.48%
Memória BW – Escrita (MiB/s) 29807.96 32305.41 8.38%
Memória BW – Leitura (MiB/s) 50261.02 55764.96 10.95%
Storage – Escrita Seq. (MiB/s) 646.99 748.72 15.72%
Storage – Leitura Random (MiB/s) 143.76 257.11 78.85%
Storage – Escrita Random (MiB/s) 95.84 171.41 78.85%
Storage – Latência p95 (ms) 0.14 0.07 46.43%

Observações e Guia Estratégico

1. O "Imposto" da Virtualização Aninhada

  • Paridade de CPU/Memória: O gap de ~3% em CPU é impressionantemente baixo, mostrando que os shapes E5 Flex do OCI lidam bem com virtualização aninhada. Para a maioria das aplicações, a diferença de largura de banda de memória (11%) é negligenciável.
  • Divergência de Storage: Este é o ponto crítico. O I/O aleatório em Bare Metal é quase 1.8x mais rápido. No Bare Metal, o Firecracker fala diretamente com o KVM do host; na VM, cada requisição atravessa o driver virtio do guest e o hypervisor do OCI antes de atingir o hardware.

2. O que isso significa para sua operação
Se suas workloads são sensíveis à latência ou intensivas em escrita/leitura de disco, o Bare Metal é a escolha técnica correta. Se você busca simplicidade operacional e os deltas acima são aceitáveis para o seu cenário (como em microserviços leves), as VMs são alvos viáveis.

Conclusão

O Firecracker no OCI une a agilidade das microVMs com isolamento forte. Para times de engenharia no Brasil que operam frotas de microserviços ou tarefas efêmeras, as VMs com /dev/kvm oferecem um equilíbrio prático. Reserve o Bare Metal para quando os SLOs de latência e intensidade de storage forem soberanos.


Artigo originalmente publicado por Josiah Oriendo em cloud-infrastructure.

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