27 de março de 20263 min de leitura

Além do Cluster Único: Estratégias de Cross-Cluster Search e Replication no OpenSearch

Pratishtha Tandon

Oracle Cloud

Banner - Além do Cluster Único: Estratégias de Cross-Cluster Search e Replication no OpenSearch

Sistemas de busca baseados em OpenSearch geralmente iniciam sua jornada com uma arquitetura simples. Um único cluster centraliza tudo: buscas de aplicações, logs, métricas e monitoramento. Inicialmente, essa topologia é altamente eficiente, oferecendo baixa latência e facilidade de operação.

Contudo, o crescimento dos dados e a expansão geográfica das empresas trazem complexidade. A necessidade de reduzir a latência para usuários em diferentes regiões, isolar workloads de analytics para proteger a performance do ambiente de produção e garantir resiliência através de estratégias de disaster recovery transforma aquele cluster único em um gargalo operacional. É aqui que o Cross-Cluster Search (CCS) e o Cross-Cluster Replication (CCR) deixam de ser recursos periféricos e tornam-se requisitos fundamentais para arquiteturas de cloud escaláveis.

Cross-Cluster Search (CCS)

O CCS permite que um cluster (coordenador) pesquise dados em clusters remotos sem a necessidade de migrar dados. Em vez de centralizar tudo em um único ponto, você mantém a soberania dos dados onde eles foram gerados, consultando múltiplos clusters de maneira federada no momento em que a query é executada.

Como funciona o Cross-Cluster Search:

  1. O cluster coordenador recebe a query do usuário.
  2. O coordenador despacha a requisição para os clusters remotos.
  3. Cada cluster remoto executa a busca localmente.
  4. Os resultados são agregados e retornados em uma única resposta.

Fluxo do CCS

Para times corporativos no Brasil, isso é particularmente útil na conformidade de dados e na redução de data egress costs entre regiões de cloud, mantendo a visibilidade global sem a necessidade de mover petabytes de telemetria.

Cross-Cluster Replication (CCR)

Enquanto o CCS foca na visibilidade, o CCR trata da resiliência e da proximidade dos dados. Ele mantém cópias sincronizadas (em tempo real) de índices entre clusters líder e seguidor. É a estratégia ideal para garantir que seu plano de disaster recovery não seja apenas teórico, permitindo que clusters de réplica assumam o tráfego rapidamente em caso de falha regional.

O uso de CCR, aliado a políticas de auto-follow, reduz drasticamente o esforço operacional de gestão de shards em ambientes multi-regionais, garantindo consistência sem intervenção manual contínua.

Considerações de Performance em Arquitetura Multi-Cluster

Adotar essas funcionalidades exige maturidade no design:

  • Query Fan-out: O uso intenso de CCS em muitos clusters pode elevar o uso de CPU e memória. É fundamental que o cluster coordenador seja dimensionado considerando o overhead de agregação de resultados.
  • Replication Lag: No CCR, a replicação é assíncrona. Embora o lag seja baixo, arquitetos devem monitorá-lo para evitar surpresas em cenários de failover.
  • Network Latency: A comunicação inter-cluster é sensível à latência de rede entre regiões. O uso de Private Links e conexões dedicadas é recomendado para manter a previsibilidade dos SLAs.

Perspectiva Estratégica

A transição de um cluster monolítico para uma arquitetura distribuída via CCS e CCR é o caminho natural para empresas que buscam eficiência operacional e resiliência. A chave não é espalhar dados aleatoriamente, mas definir claramente o papel de cada cluster: ingestão local, análise centralizada e redundância geográfica.

Ao implementar, comece com um piloto focado em um índice crítico ou em um caso de uso específico, como logs globais. A gestão da infraestrutura via IaC (Infrastructure as Code) será o seu maior aliado para manter a consistência de mappings e templates entre os clusters, garantindo que o ambiente scale without drift.


Artigo originalmente publicado por Pratishtha Tandon em cloud-infrastructure.

Gostou? Compartilhe:
Precisa de ajuda?Fale com nossos especialistas 👋
Avatar Walcew - Headset