A soberania digital deixou o campo das discussões políticas para se tornar uma prioridade de engenharia. Em um cenário onde a infraestrutura cloud native sustenta a continuidade dos negócios, a dependência excessiva de grandes provedores (Hyperscalers) impõe riscos operacionais e de conformidade que não podem mais ser ignorados, especialmente por empresas que operam sob regulações rigorosas.
A discussão sobre o Open Sovereign Cloud Day no ecossistema da CNCF reflete uma mudança de paradigma: a necessidade de definir padrões claros e modelos operacionais que permitam às empresas recuperar o controle sobre suas pilhas tecnológicas. Para lideranças de TI e times de infraestrutura no Brasil, isso significa avaliar criticamente a portabilidade de workloads em arquiteturas multi-cloud e o uso de open source como uma camada de proteção contra o vendor lock-in.
Diferente de conferências convencionais que focam apenas no stack, o evento propõe inverter a perspectiva: partir do objetivo de soberania para desenhar o deployment. Isso exige que arquitetos e SREs repensem camadas críticas como IAM, persistência de dados e as ferramentas de observability, garantindo que a infraestrutura não seja apenas resiliente, mas também controlável. Em última análise, a soberania é indissociável da postura de segurança; sem governança sobre onde e como os dados trafegam e são processados, qualquer iniciativa de resiliência torna-se, na prática, uma ilusão.
Artigo originalmente publicado por Co-chairs: Kurt Garloff, Peter Giese, Sachiko Muto, Margaret Dawson, Chris Aniszczyk, Gabriele Columbro, Mirko Boehm, Susan Remmert, Paula Grzegorzewska em Cloud Native Computing Foundation.