Desde 2021, o ecossistema do Amazon Elastic Compute Cloud (Amazon EC2) tem evoluído em uma velocidade que desafia até os times de engenharia mais atualizados. Entre instâncias baseadas em AWS Graviton e opções de computação acelerada, o mercado brasileiro agora conta com mais de 1.160 tipos de instâncias. Em fevereiro de 2026, o destaque fica para o lançamento das instâncias Amazon EC2 M8azn, que elevam o patamar de performance para aplicações críticas.
As novas instâncias M8azn são equipadas com processadores AMD EPYC de 5ª geração, atingindo a maior frequência máxima da nuvem: 5 GHz. Em comparação com a geração anterior (M5zn), o salto é substancial: o dobro de performance computacional, 4.3x mais memory bandwidth e um cache L3 dez vezes maior. No campo de infraestrutura, os ganhos de throughput em rede (2x) e em Amazon Elastic Block Store (Amazon EBS) (3x) indicam que o gargalo de I/O está se tornando coisa do passado para arquiteturas bem desenhadas.

Construídas sobre o AWS Nitro System de sexta geração, essas instâncias são ideais para setores que demandam baixa latência extrema, como analytics financeiro em tempo real, simulações complexas (automotivo e energia) e pipelines de CI/CD de alta escala. Com uma proporção de 4:1 entre memória e vCPU, elas oferecem flexibilidade desde 2 até 96 vCPUs, incluindo opções bare metal para quem precisa de controle total sobre o hardware.
Expansão do Amazon Bedrock e o ecossistema de Modelos Open Weights
No campo da IA generativa, a AWS reforçou o Amazon Bedrock com o suporte a seis novos modelos de pesos abertos (open weights): DeepSeek V3.2, MiniMax M2.1, GLM 4.7 (e versão Flash), Kimi K2.5 e Qwen3 Coder Next.
Para empresas brasileiras, essa diversidade é estratégica. Enquanto o DeepSeek e o Kimi focam em raciocínio e inteligência agentic, o Qwen3 Coder e o GLM 4.7 atendem à demanda por automação de codificação com janelas de saída extensas. O grande diferencial aqui é o uso do Project Mantle, que garante compatibilidade nativa com as APIs da OpenAI, facilitando a migração ou o multi-cloud sem a necessidade de reescrever pipelines inteiros de integração.
Segurança e Observabilidade: Otimizando a Operação
Outras atualizações importantes impactam diretamente o custo operacional (FinOps) e a postura de segurança (SecOps):
- Amazon Bedrock e AWS PrivateLink: O suporte ao endpoint
bedrock-mantlevia PrivateLink agora permite que o tráfego de inferência para modelos de larga escala não trafegue pela internet pública. Isso é fundamental para compliance em setores regulados no Brasil, como o bancário e de saúde. - EKS Auto Mode com Logging Aprimorado: Através do Amazon CloudWatch Vended Logs, agora é possível coletar logs de componentes gerenciados do Kubernetes (autoscaling, storage, load balancing) com custos reduzidos. É uma vitória para times de DevOps que precisam de visibilidade total sem explodir o orçamento de monitoramento.
- FinOps no OpenSearch Serverless: A introdução de Collection Groups permite compartilhar OCUs (OpenSearch Compute Units) entre diferentes coleções, otimizando o custo computacional enquanto mantém isolamento de segurança via AWS KMS. Além disso, a capacidade de definir um baseline de capacidade (mínimo de OCUs) resolve problemas de latência no cold start de aplicações sensíveis.
- Flexibilidade no Amazon RDS: Agora é possível configurar períodos de retenção de backup e janelas preferenciais durante o restore de snapshots. Antes, era necessário esperar a conclusão do restore para ajustar esses parâmetros — uma mudança simples que elimina fricção operacional em janelas de manutenção críticas.
Perspectiva Nuvem Online
As atualizações da semana mostram que a AWS está focada em reduzir a latência e aumentar a densidade de processamento, ao mesmo tempo em que democratiza o acesso a modelos de IA especializados. Para gestores brasileiros, o desafio é equilibrar a adoção dessas novas capacidades com uma estratégia sólida de FinOps, garantindo que a performance extra das instâncias M8azn ou a versatilidade do Bedrock se traduzam em valor de negócio, e não apenas em custos crescentes.
Artigo originalmente publicado por Esra Kayabali em AWS News Blog.