4 de março de 20264 min de leitura

Google Cloud lança H4D VMs: O impacto da 5ª Geração AMD EPYC e RDMA para HPC no Brasil

Felix Schürmann

Google Cloud

Banner - Google Cloud lança H4D VMs: O impacto da 5ª Geração AMD EPYC e RDMA para HPC no Brasil

O mercado de cloud acaba de ganhar um novo referencial de potência para processamento de alto desempenho. O Google Cloud anunciou a General Availability (GA) das H4D VMs, a mais recente família de instâncias otimizadas para High Performance Computing (HPC). Equipadas com a 5ª Geração de processadores AMD EPYC™, essas máquinas não apenas aumentam o throughput bruto, mas atacam gargalos históricos de latência e escalabilidade em ambientes distribuídos.

Para empresas brasileiras de setores como manufatura, saúde, previsão meteorológica e EDA (Electronic Design Automation), a chegada das H4D representa uma mudança estratégica na forma de consumir infraestrutura. A integração nativa com o Cluster Toolkit (via Slurm) e Google Kubernetes Engine (GKE) permite que times de engenharia escalem clusters complexos quase instantaneamente, reduzindo o time-to-market de simulações críticas.

Um dos grandes diferenciais técnicos deste lançamento é a introdução do Cloud Remote Direct Memory Access (RDMA) no portfólio de CPUs do Google Cloud. Operando sobre o Titanium network adapter, o RDMA permite que a performance de um único nó H4D seja estendida para múltiplos nós com latência mínima, resolvendo o problema de comunicação entre instâncias que frequentemente limita a escalabilidade de workloads de produção em larga escala.

Resultados práticos: Aceleração em diversos domínios

A performance das H4D VMs foi validada através de benchmarks industriais, demonstrando ganhos significativos em relação às gerações anteriores (como a C2D).

Saúde e Life Sciences
Em simulações moleculares complexas, fundamentais para a descoberta de fármacos, o salto é notável. Comparada à C2D, a H4D entregou um speed-up de até 4.3x rodando LAMMPs (benchmark LJ) com 96 VMs, mantendo uma eficiência paralela de 95% em 18 mil cores. No GROMACS, o ganho chegou a 5.8x em 32 VMs.

1-Figuer1&2

2-Figuer3

Manufatura e Engenharia (CAE)
Para fluxos de Computer-Aided Engineering, como simulações de dinâmica de fluidos (CFD), a H4D permite ciclos de design muito mais curtos. Em testes com Ansys Fluent, a instância entregou 4.1x mais performance. No caso do OpenFOAM (open-source), o speed-up foi de 5.2x, alcançando uma eficiência paralela superlinear de 122%, o que indica um aproveitamento excepcional do cache e subsistema de memória.

3-Figuer4&5

Eficiência Operacional e FinOps: O novo padrão de custo-benefício

Além da performance bruta, a H4D foi desenhada com foco em eficiência financeira. A compatibilidade com o Dynamic Workload Scheduler (DWS) é um ponto-chave para estratégias de FinOps. Com o modo Flex Start, empresas podem acessar capacidade just-in-time, enquanto o modo Calendar garante reservas programadas.

Na prática, isso permite acessar poder computacional HPC por valores tão competitivos quanto 3 centavos de dólar por core-hora, sem a necessidade de contratos de longo prazo (Commitments). Para o gestor de TI no Brasil, isso significa transformar CAPEX em um OPEX extremamente granulado e previsível.

4-Figuer6

5-Figuer7

Ecossistema de Gestão e Operação

Implementar clusters densos de H4D é simplificado pelo uso do Cluster Director (agora com recursos avançados de manutenção) e do Cluster Toolkit, que utiliza blueprints prontos para deployment rápido. Para a camada de orquestração de jobs, a integração nativa com o Batch (serviço serverless para filas e provisionamento) retira a carga operacional dos times de infraestrutura, permitindo foco total na análise dos dados.

O que dizem os especialistas do setor

jump

“Testamos a plataforma H4D no early access e os resultados foram impressionantes. Vimos uma melhoria de até 50% no custo-benefício em relação às gerações anteriores, com a estabilidade exigida para nossas operações de alto volume.”Alex Davies, CTO na Jump Trading

hmx labs

“Existe um mito de que o desempenho máximo só é possível on-premises ou em bare metal devido ao 'imposto do hypervisor'. Nosso benchmark de risco financeiro mostra o contrário: a H4D performa melhor que o topo de linha bare metal da mesma geração da AMD.”Hamza Mian, CEO na HMxLabs

totalcare

“A eficiência do fabric RDMA é não-negociável para simulações de crash test e CFD. A H4D provou ser um acelerador real para workloads de engenharia de alto throughput.”Rodney Mach, Presidente na TotalCAE

Google

“Vimos uma melhoria de 30% em benchmarks de EDA. Isso se traduz diretamente em ciclos de desenvolvimento mais rápidos para nossos times de design de chips.”Trevor Switkowski, Tech Lead na Google Cloud

Como começar

As instâncias H4D já estão disponíveis em regiões como us-central1 (Iowa), europe-west4 (Holanda) e asia-southeast1 (Singapura), com planos de expansão para outras zonas em breve. Para empresas no Brasil, utilizar essas regiões globais via Cloud RDMA é o caminho mais curto para reduzir latência em processamentos paralelos massivos.


Artigo originalmente publicado por Felix Schürmann em Cloud Blog.

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